Recentemente, o geneticista James Watson, que ganhou o prêmio Nobel pela descoberta da estrutura do DNA, falou sobre a possível influência de uma diferença racial sobre a situação da África (dos negros, de maneira geral). Fato é, que experimentos basados em ressonância magnética inferiram que há uma diferença negativa no tamanho dos cérebros dos negros em relação aos brancos, e mais ainda aos orientais (mais avantajados). Essa diferença seria de algumas centenas de milhões de células nervosas, o que poderia implicar em uma diferença de Q.I. entre as raças.
A declaração do cientista virou polêmica, e foi considerada racista. Vim apenas perpetuar essa polêmica.
O impacto da genética é um sopro de predisposições.
Uma pessoa que tem pais e avós e tios diabéticos possui efetivamente uma chance gigantesca de desenvolver diabetes, mas sabemos que se ela tiver uma alimentação equilibrada, muito provavelmente isso nunca irá acontecer.
Suponhamos que um oriental (seguindo a lógica das pesquisas) fosse mantido afastado de qualquer indução do raciocínio, levado apenas a desenvolver trabalhos físicos com o intuito de garantir sua sobrevivência. Não haveria a possibilidade do Q.I. dele ser maior do que o de qualquer branco ou negro que tivesse tido oportunidade de desenvolver e exercitar suas habilidades intelectuais.
Especialmente devemos lembrar que o tecido nervoso exibe uma plasticidade extraordinária, além de qualquer outro. O exercício é a alma do negócio.
Mas que uma predisposição leva a questionamentos sérios sobre o comportamento humano, isso leva. E chegamos naquele limite difícil entre psicologia, biologia, antropologia.
O subdesenvolvimento do povo africano tem o quanto a ver com a genética desprivilegiada?
O impacto de uma declaração dessa para o racismo, no entanto, é drasticamente negativo. É a justificativa perfeita para aqueles de cérebros médios e mentes minúsculas. Também devemos levar em consideração a diversidade étnica que temos, não dá pra fazer uma extensão da disseminação dessa característica genética numa população tão mestiça quanto a brasileira por exemplo. Não dá pra justificar pobreza ou ignorância com melanina, e ponto.
Mas cá pra nós, certos conhecimentos são mesmo difíceis de administrar, hein?
"A ciência não é estranha à controvérsia. A busca de conhecimento é freqüentemente desconfortável e desconcertante. Nunca temi declarar o que acredito ser verdade, não importando o quão difícil seja. Isso, de vez em quando, me deixa em maus lençóis. Raras vezes mais do que agora, em que me encontro no centro de uma tempestade. Entendo boa parte da reação. Porque se eu disse o que escreveram que disse, então só me resta admitir que estou perplexo. Para aqueles que inferiram das minhas palavras que a África, como um continente, é, de alguma forma, geneticamente inferior, só me resta pedir desculpas públicas. Não foi o que eu quis dizer. Mais importante, do meu ponto de vista, não há base científica para tal crença. Sempre fui um feroz defensor da posição de que devemos basear nossa visão do mundo em fatos. Por isso a genética é tão importante. Porque nos leva a respostas para muitas das maiores e mais difíceis questões.
Mas essas respostas podem não ser fáceis porque, como eu sei muito bem, a genética pode ser cruel. Meu próprio filho é uma de suas vítimas. Aos 37 anos, Rufus não pode levar uma vida independente por causa da esquizofrenia. Por muito tempo, minha mulher, Ruth, e eu achávamos que Rufus precisava de um desafio para o qual se voltasse. Mas quando ele passou pela adolescência, temi que a origem de sua vida incompleta jazia em seus genes. E foi essa percepção que me levou a tornar o projeto genoma humano uma realidade.
Ao fazer isso, sabia que dilemas morais surgiriam e me preocupei em estabelecer os componentes éticos, legais e sociais do projeto. Desde 1978, quando um balde de água foi jogado sobre meu amigo de Harvard E.O. Wilson por suas declarações sobre a influência dos genes no comportamento, os ataques contra a genética comportamental humana permanecem vigorosos. Mas a irracionalidade deve perder terreno em breve. Logo será possível ler as $genéticas individuais. Quando isso acontecer, espero que possamos ver se alterações na sequência de DNA, e não influências ambientais, resultam em comportamentos diferentes. Por fim, estabeleceremos a relativa importância da natureza em oposição ao ambiente.
A idéia de que algumas pessoas são más por natureza me perturba. Mas a ciência não está aqui para fazer a gente se sentir bem. Existe para responder questões a serviço do conhecimento. Ao descobrir em que extensão os genes influenciam o comportamento moral, seremos capazes de entender como os genes influenciam aptidões intelectuais. No meu instituto estudamos falhas causadas por genes no desenvolvimento do cérebro que, freqüentemente, levam ao autismo e à esquizofrenia. Pode ser que descubramos que diferenças nesses genes responsáveis pelo desenvolvimento do cérebro levam a diferenças na habilidade de executar diferentes atividades mentais.
Não entendemos suficientemente como ambientes selecionaram, ao longo do tempo, os genes que determinam a capacidade de fazer diferentes coisas. O grande desejo da sociedade é dizer que capacidades equivalentes de razão são uma herança universal da Humanidade. Pode ser. Mas simplesmente querer que seja assim não é suficiente. Isso não é ciência. Questionar isso não é racismo. Não se trata de uma discussão sobre superioridade ou inferioridade, mas sim buscar entender diferenças, saber por que alguns são grandes músicos e outros grandes engenheiros. É muito provável que passem pelo menos 15 anos antes de chegarmos a uma compreensão adequada da relativa importância da natureza versus ambiente na conquista de importantes objetivos humanos. Até lá, nós, como cientistas, sempre que quisermos nos posicionar nesse grande debate, devemos tomar cuidado ao invocar verdades indiscutíveis sem o apoio de provas."
(JAMES WATSON para o jornal britânico "Independent")
Mary Fouleaux
domingo, 21 de outubro de 2007
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11 comentários:
o método científico implica usar um número grande de experiências, no caso para humanos é complicado pq vc precisa d um número grande d cobaias
e é difícil pegar um número grande de pessoas de pele escura com o mesmo nível de instrução de um número grande de brancos para fazer o experimento, já q em nosso mundo racista a oportunidade para eles geralmente é menor
logo por mais q os experimentos do sejam eficientes em mostrar números ele é falho nesse ponto considerando q o desenvolvimento do indivíduo tb é fator determinante
eu, particularmente, acredito q o desenvolvimento maior de certas sociedades não está ligado a inteligencia desses povos, e sim ao fato de existirem pessoas ociosas, essas com tempo para estudar e desenvolver alguma tecnologia nova. o trabalho originalmente é para sobrevivência, a partir do momento em q há excesso de alimentos não há a necessidade de todos trabalharem e isso só ocorre a partir do momento em q se tem uma tecnologia diferente de agricultura ou alguma tração animal(lhama, boi, cavalo, camelo, et cetera) e eu não lembro d nenhum animal de tração q tenha vindo da África negra
isso tudo sem conexão nenhuma com "neurônios a mais"
é até estranho tirar uma conclusão genética d um fator alterável com o desenvolvimento
Quero esclarecer que não foi Watson quem realizou os experimentos, ele apenas os mencionou, dizendo ser "inerentemente pessimista em relação ao futuro da África" porque "todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles é igual à nossa -quanto todos os testes dizem que não é bem assim"
¬¬
A um tempo venho querendo escrever algo sobre este cientista no patinho, mas não venho muito a vontade para descrever o tipo de ciência sem o pingo de amor desse Nobel (que, igual a cerveja é amargo).
Acho que não podemos empreender uma jornada por classificar quem é mais inteligente (racional para ser mais correto, pois é a razão da sociedade ocidental aqui discutida - existem outras formas de inteligência); se é o branco, o negro, o asiático, o ovo ou a galinha. Já que a grande maioria das questões relativas ao desenvolvimento intelectual advém da cultura. A cultura asiática prega um maior raciocinio lógico e as familias tradicionais exigem maior esforço dos seus descendentes nos estudos, além disso, em uma sociedade tecnológica como é o Japão por exemplo, não se pode negar que o pensamento chave da civilização ninpônica deve ser a razão lógica. Os brancos desenvolveram sua civilização moderna de acordo com os principios da lógica e da ciência, impuseram este tipo de raciocinio para a medição da verdade e da própria moral (o que é certo e errado?) para todas as outras culturas que agiam sobre outro tipo de lógica. Por isso Hellsing, questiono sua coloção sobre o Desenvolvimento da sociedades - outros tipos de sociedade devem se desenvolver para o tipo de sociedade que vivemos? Existem sociedades boas ou ruins, superiores e inferiores?
Em relação aos negros pouco há o que comparar. A escravidão, a segregação posterior e outros tipos de estratificação do negro da sociedade distanciou o mesmo das escolas e universidades. Não só no Brasil mas em outras partes do mundo os negros são excessões do modelo. Estariamos cientificamente errados em colocar a carroça na frente dos bois e esquecer que, por trás dessas diferenciações a uma secular estratificação social ou como diria Florestan Fernandes, a exclusão do negro da sociedade de classes.
Em relação ao desenvolvimento diferenciado das civilizações, acho que você tem uma dose de razão em citar por exemplo o arado. A cultura influencia no modo de desenvolvimento, a cultura interna e principalmente externa. Digo isso porque a colonização do território Americano pela cultura inglesa criou um tipo de civilização naquele país. Assim como o colonialismo espanhol é diferente do português e o neocolonialismo - responsavel pela colonização da África é diferente de todos os outros. A imposição das culturas ocidentais de diferentes formas - seja no modelo do plantation e do escravismo mercantil, seja na visão de mercado do imperialismo inglês - marca o "desenvolvimento" dos países colonizados e sua entrada na "modernidade". Mas não foi o ócio que trouxe a razão nem a fartura de alimentos, isto seria muito simplista.
Se forma descobertas algum neurônio a mais ou a menos nos nossos cérebros isso sinceramente não autoriza ao racismo, nem ao linchamento de nenhuma "raça". Nem autoriza a este tipo de cientista a expor suas ideias medievais de mundo como sendo cientificas, pois, não é só aos negros que ele ataca, mas aos homossexuais entre qualquer outro que seja diferente do que ele.
A estupidez dele é pensar que podemos "tratar" de uma sociedade como se fosse um cultivo de células.. "ah, essas aqui tem mais mitocôndrias, aquelas dali são diplóides.."
O tamanho do cérebro é muito pouco no desenvolvimento de uma nação. Especialmente quando se trata da mais oprimida de todas as nações.
Agora, dizer que não existem sociedades superiores, eu n sei não ein, galileu, mas eu acho a sociedade ocidental melhor do que aquelas tribos sem roda que tem até hj na áfrica...
"Mas não foi o ócio que trouxe a razão nem a fartura de alimentos"
eu disse ao contrário^^ a fartura da a oportunidade d alguem ficar no ócio
os gregos pregavam o ócio, trabalhar era coisa d escravo e de grego burro
Mary, você que está dizendo que existem sociedades superiores. Sem querer ser antropológicamente chato, isso se chama etnocentrismo e isso é normal em todas as civilização :D
Para mim não existe.
Poiseh, talvez seja um etnocentrismo, mas eh que eu tenho tendência a achar mais evoluídos os que se distanciam mais do comportamento animal..
Assim, já n posso dizer que acho a sociedade ocidental melhor que a oriental (não islamica, por favor..), isso eu n acho..
n sou tão etnoufanista eheheh
nossa, esse blog nunca teve uma discursão tão longa =P
a eh galileu, respondi a sua afirmaçã no post anterior ^^
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